Chove lá fora. Nada engraçado sobre isso.
É meio estranho na verdade. A chuva, em toda sua fluidez. Ah, se eu estivesse lá fora… Sentir-la-ia escorrendo-me pela face (perdão pela mesóclise).
Eu penso em milhões de coisas. Em suma maioria, coisas inúteis. Pensamentos como gotas de chuva, tocando o chão da minha mente.
Medito sobre o rumo dos acontecimentos. Perco meu tempo tentando inferir os sentimentos e pensamentos alheios. Por que será que somos todos grandes ilhas dentro de nós mesmos? Eu me sinto um verdadeiro arquipélago, fragmentado, esperando alguém recolher os pedaços.
Talvez o mar que me isole do mundo seja composto por todas as gotas de chuvas que representam meu pensamento. Eu queria construir uma jangada e sair para explorar outras ilhas. Porém, o mar é tão bravo que sempre acabo levado de volta. Quando me dou conta, acordo em uma praia em mim mesmo.
A chuva persiste.
Eu queria sentar e dar risada, não fazer nada e me perder para me encontrar. Queria que as coisas tivessem sintonia. Acima de tudo, queria sentir.
Acho que vou beber um pingo de chuva e dormir. Afinal, está tarde.
Fim de Transmissão.