Oito meses atrás, eu estava com 2 amigas andando a esmo no meu carro pela cidade de São paulo. Estávamos escutando um CD desses que você grava em casa, com músicas escolhidas a dedo para garantir a diversão dos ouvintes. Eis que entra no rádio uma melodia pela qual a moça sentada no banco de trás sentia muito apreço. Tamanha era a paixão da garota pela música que, do banco de trás, ela se esticou e conseguiu aumentar o volume até o número 23 aparecer no display. Caso não tenha ficado claro, o som ficou em altíssimo volume, quase ensurdecedor para quem estivesse dentro do veículo. Magnitude esta que eu considero apropriada apenas nesse tipo de ocasião, quando se roda a esmo antes de balada ou programa noturno.

POWERFUL!
Uma semana antes do episódio, outro acontecimento ocorrera. Foi esse acontecimento que caracterizou de maneira única o dia do volume 23. Na semana antes, cansado dos maus-tratos causados pelos meus dedos brutos, o botão de diminuir o volume do rádio do meu carro decidiu se suicidar. Saltou em direção ao inevitável, aterrissando no tapete do meu carro. Morreu ali, gelado em meio aos sulcos de borracha. O rádio, portanto, perdeu a capacidade de ter o seu volume reduzido.
Ele não aguentava mais ser pressionado!
Juntando os dois acontecimentos, restou-me um aparelho de som cujo volume era sempre ensurdecedor e, consequentemente, impróprio para o uso diário. O preço do conserto, como de costume, equiparava-se ao de um novo aparelho. Oito meses se passaram em que eu tolerei o infernal trânsito paulistano desprovido de acompanhamentos musicais outros que as buzinas alheias. Mas esses dias acabaram! Hoje eu comprei um aparelho de som novo para o meu carro. Aí que fui olhar os meus CDs, pensando em compor trilha sonora adequada para o estressante trajeto que percorro diariamente. Contudo, outra surpresa:

Meu CD da Spice Girls estava RIS-CA-DO!
Piadas a parte, a minha surpresa foi que eu me dei conta de que eu não podia mais andar por aí com uma bolsinha de CDs com 34532452 discos do Pearl Jam e uns outros 4 ou 5 que eu ouvia quando tinha 15 anos e que estão repletos de músicas que hoje em dia eu tenho vergonha de admitir que escutava. Resumindo, eu me dei conta de que: Eu preciso de CDs novos!

Boa noite senhor! Você gostaria de estar comprando....
Eu não sou nenhum especialista em música. Passei a maior parte da minha vida ouvindo só as faixas que me agradavam, sempre menosprezando o valor do álbum. Faz pouco tempo que compreendi que um álbum de música, assim como um livro, é composto por várias partes que formam um todo e que cada faixa é como um capítulo.
Então, tive a ideia de definir uma bolsa de CDs indispensáveis. Isso compreende escolher um case legal (e portanto o número máximo de CDs indispensáveis), procurar e ouvir inúmeros CDs e escolher os caras que irão compor a minha coletânea.

O conceito de uma bolsa que tenha o que você precisa me pareceu familiar...
E assim nasceu a ideia do projeto que eu chamei de Felix, que é essencialmente compor uma bolsa de CDs indispensáveis, descrevendo todo o processo aqui! Espero aprender e me divertir muito nessa empreitada!
Que comecem os jogos!
adoro que a coitada aqui herdou todos os seus cds vergonhosos e riscados pra poluir meu carro já sujinho, haha