Morbidez e Involução.

Julho 14, 2008

Qual o propósito do meu blog senão registrar para as pessoas quem eu realmente sou? Já ouviu a expressão “eu sou um livro aberto”? Pois é, esse blog sou eu. O meu livro aberto de segredos. A marca que eu vou deixar na história caso algum dia alguém se interesse em saber quem eu fui, era, sou ou serei.

E agora escrevo mais uma vez, simplesmente porque fiquei com vontade. Porque sei o que eu sinto.

Fui lá ver tv, depois de conversar, ler meu agregador de feeds, checar meu e-mail e postar (ou seja, tarefas da internet concluídas). Dentre as diversas opções que os 250 milhões de canais que a tv paga tem a oferecer, surgiu um interessezinho básico por dois filmes. Um era uma comêdia romântica bobinha pela qual logo me desinteressei. O outro, um filme de drama, que parecia bem chato e que quase, quase eu desisti de assistir.

NÃO. Eu não vou começar a falar das banalidades da minha vida e transformar isso num fotolog supérfluo.

Ex: “Hoje foi comer sushi:

 *Foto de eu+pessoa x+pessoa y no restaurante*

Aí, vocês não acreditam, meu hashi veio quebrado!

*Foto do hashi quebrado*

Mas  para compensar, o Temaki de salmão skin era ótimo.

*Foto do temaki de salmão skin ótimo*

Ops, não aguentei.

*Foto do temaki de salmão skin ótimo mordido*

BLAAAARGH. NÃO. Por isso peço paciência. O filme tem um propósito. Calma, vou ligar uma música. Já continuo a escrever. Dois (sic) palito [não faz sentido nenhum escrever "dois palitos"]. Pronto. O filme era um drama básico de paixão entre o Hugh Jackman e a Rachel Weisz . Não demora muito para se perceber que ela tem câncer e vai morrer (porque as pessoas com câncer sempre morrem no mundo dos filmes). 

O filme usa uma abordagem curiosa para um assunto já tão explorado (Doce Novembro, Um amor para recordar, Autumn in New York, entre outros no gênero). E acredite, eu além de ser um SUCKER para filmes assim, devo ter visto a maioria. Até que curti o filme. Chama “A fonte da vida”. 

Hora de engrossar o caldo e começar a falar sério.  No meio do filme eu comecei a analisar qual seria o impacto de uma morte na minha vida. Não, não a minha morte. Mas a morte de qualquer  pessoa no meu círculo mais alto de relacionamentos, estilo a esposa do Hugh Jackman no filme que eu vi.

Antes de continuar queria fazer um parêntesis ([repetitivo?]). Eu tenho esse costume de discutir abertamente assuntos relacionados a morte. Não sei por quê, mas a maioria das pessoas não encara isso com a mesma naturalidade que eu. Falam: “Nossa Saulo, que assunto mais mórbido”. Acontece que eu penso que a morte é um processo natural da vida. Não faz sentido fingir que ela não existe até o dia em que ela nos bate na porta. Mórbido, o cassete! Vou mais é falar de morte mesmo.

Continuando. Estava eu pensando que fico aqui achando que tudo é fim do mundo. Qualquer coisinha já é suficiente para eu perder a vontade de sair da cama. Só de ir numa balada ruim, já sofro uma mudança de personalidade. Imagina se morre tipo algum parente muito próximo meu. O que eu ia fazer? Qual seria o impacto de uma coisa dessa magnitude na minha pessoa, no meu âmago? Como eu ia ser capaz de lidar com isso?

Vou tentar forçar um pensamento antes de continuar. 

Imagina se houvesse uma escala da evolução da mente (lê-se espírito, ou alma) e você tivesse que colocar nessa escala um terrorista que matou um bocado de gente. Você se colocaria acima ou abaixo do terrorista? E de um psicopata? Um ditador genocida? O Lula (brincadeirinha)? E se você se colocasse acima, chamaria isso de prepotência?   

Agora, se você é um daqueles ferrenhos, duros na queda, que acha que não dá para julgar um ser humano. Que acha que ninguém é melhor do que ninguém. Compara o Buda e o Hitler. Quem é melhor? Se falar que eles são iguais é hipocrisia. Igual quando machão fala que não julga beleza de outro homem. É só mandar ele comparar o Tiririca com o Tom Cruise (se ele falar que não dá para comparar é pura hipocrisia).

Aí a filosofia viajada rolou solta né. Mas por qual razão nesse mundo eu comecei a falar nesse assunto? Explicando: A questão é que eu acredito em uma escala de evolução da mente (lê-se alma ou espírito). Cada um caminha o seu próprio caminho e por isso é justo que todos tenhamos níveis diferentes de evolução. O que me leva ao seguinte argumento que pode parecer prepotentente (o que não é minha intenção).

O Argumento: As mentes menos evoluídas seriam menos sensíveis aos baques de tudo o que acontece. Uma mente mais evoluída, por outro lado, seria extremamente sensível aos acontecimentos mais corriqueiros. Vou explicar porque isso faz muito sentido para mim.

Pense, levar grandes baques com as coisas mais simples seria bom. Ou seja, eu não precisaria que alguém do meu círculo mais alto de relacionamentos morresse para aprender lições da vida, uma vez que o mero fato de ir em uma balada ruim (só exemplificando) seria suficiente para mudanças fortes no meu caráter que me levariam a algum tipo de crescimento interior.   

Tudo muito bonito na prática. Mas eu duvido muito que ir em uma balada ruim me causaria algum tipo de crescimento significativo. Claro que a morte de alguém próximo seria tipo um estupro mental. Agora, sofrer igual um cão por causa de relacionamentos (Zé, João, Passado, meu Primo, a Ruiva, o Nunes, para contabilizar os maiores) já seria muito mais forte do que a balada ruim. Provavelmente, a parte em que estou empacado na escala da evolução. Tudo isso, eu pensei vendo o filme.

E não sei por que me veio na cabeça uma frase bem legal ó:

“Não se joga o bebê fora junto com a água do banho.”

Deve existir uma centena de interpretações para esse excerto da cultura popular. Convenhamos que interpretação nunca foi o meu forte. Lembro que eu sempre tinha que compensar na grámatica nas provas de português do colégio. Arregassava (sem toda a modéstia) nas análises sintáticas, regras de acentuação, concordância, mas nunca sabia por que o maldito do Pedrinho roubou o pão do forno da Maricota. Hoje em dia, até na grámatica tenho mandado mal (vide os diversos erros de português espalhados pelo blog).

Para mim, essa frase basicamente diz para você não involuir. É! Involução. Até procurei no google. Segundo a wikipedia é uma função que é inversa de si mesma (matematicamente), ou uma regressão orgânica (biologicamente). BAAAH! Involução é o contrário de evolução. Quer dizer regredir, piorar. E acho que essa é a frase que eu estava precisando ouvir agora. Que iria magicamente resolver os meus problemas. 

Claro que essas são todas coisas bem minhas. Não sei se faz sentido para vocês. Preciso ir dormir que já está tarde. Qualquer coisa, depois explico melhor. Apesar que senti que é um tema que não voltarei a discursar sobre tão cedo. 

Fim de Transmissão.

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