Oh no! It’s raining…

Chove lá fora. Nada engraçado sobre isso.

É meio estranho na verdade. A chuva, em toda sua fluidez. Ah, se eu estivesse lá fora… Sentir-la-ia escorrendo-me pela face (perdão pela mesóclise).

Eu penso em milhões de coisas. Em suma maioria, coisas inúteis. Pensamentos como gotas de chuva, tocando o chão da minha mente.

Medito sobre o rumo dos acontecimentos. Perco meu tempo tentando inferir os sentimentos e pensamentos alheios.  Por que será que somos todos grandes ilhas dentro de nós mesmos? Eu me sinto um verdadeiro arquipélago, fragmentado, esperando alguém recolher os pedaços.

Talvez o mar que me isole do mundo seja composto por todas as gotas de chuvas que representam meu pensamento. Eu queria construir uma jangada e sair para explorar outras ilhas. Porém, o mar é tão bravo que sempre acabo levado de volta. Quando me dou conta, acordo em uma praia em mim mesmo.   

A chuva persiste.

Eu queria sentar e dar risada, não fazer nada e me perder para me encontrar. Queria que as coisas tivessem sintonia. Acima de tudo, queria sentir.

Acho que vou beber um pingo de chuva e dormir. Afinal, está tarde.

Fim de Transmissão.

10 razões pelas quais eu abandonei o twitter

Esse post é também uma auto-crítica. Sou culpado por pelo menos metade dos tipos de tweets que critico.

1- Futebol

“@torcedorfanaticochato: VAMO CURINTIA!!!!!!!! #timao #timao #timao #timao”

Sempre chega aquela época do ano em que começam os campeonatos de futebol, seja estaduais, brasileirão ou até mesmo a copa do mundo. E não demora muito para timeline ficar lotada de twitts de gente que acompanha os jogos e campeonatos e ainda gasta tempo para torcer no twitter.

Nada contra quem gosta de futebol.

Agora, eu NÃO QUERO saber se o 15 de jaú ganhou do Mogiense pela série C do campeonato paulista.

Ainda tem o pior tipo, que é aquele torcedor twitter-compulsivo que, durante um jogo importante, twitta 15 vezes, narando o jogo quase que no lance a lance. E daí que o fulano joga muito, que o ciclano não consegue correr porque está gordo, ou que o Felipe Melo foi expulso? Se eu realmente quisesse saber, estaria vendo o jogo em vez de ficar no twitter. Eu sinto como se tivesse um cara na minha sala, gritando, torcendo, xingando e me incomodando.

2- Frases que só o autor entende!

Ok! Eis que você tem lá o seu twitter, passou dos cem followers e acha que o que você tem para dizer é até interessante. Aí que acontece aquele evento histórico e extremamente pessoal na noite de ontem e você quer contar para todo mundo, mas não quer que ninguém fique sabendo. Então, publica uma frase nada com nada:

@pessoainsensata: Cebola, cartas e odaliscas titubeando. #Ontem”

Outra variante comum é a reflexão pessoal, que todo mundo precisa ler, mas ninguém pode saber o que é:

“@filósofovirtual: A vida as vezes é tipo um garotinho vendendo limonada na beira da calçada!”

Logo, o indivíduo twitter-compulsivo cria uma frase que NÃO FAZ SENTIDO NENHUM e twitta aquela tranqueira para poluir as timelines alheias. Se você quer contar algo, CRIA CORAGEM E CONTA, ou então guarde para você!

3- Tweets com informações que eu não quero saber

Existe um tipo de tweet característico para o qual eu desenvolvi um mantra. O meu mantra meio que me privou de enlouquecer ao ler tanta futilidade aglomerada na minha timeline:

“@ovisitadordelugares: Este tweet é para avisar que estou no largo do arouche!”

Mantra: “É ? …  Foda-se!”

“@ocozinheiro: Acabo de fazer miojo e ovo frito! #mandomuito”

Mantra: “É ? … Foda-se!”

“@oworkaholic: hoje é dia de Corno Job #cornojob”

Mantra: “É ? … Foda-se!”

“@obaladeiro: partiu! #balada”

Mantra: “É ? … Foda-se!”

Ao repetir este mantra, você passa pela sua timeline e não sente que preciosos segundos minutos horas da sua vida foram direto para o lixo, lendo coisas que você não queria e nem precisava saber… NOT!

Contudo, sempre tem o pior possível, que nem mesmo o mantra segura:

“@losercompleto: Não sei o que twittar…”

4- Encurtadores de URL

Eu realmente achei que os encurtadores de URL eram a melhor coisa do universo. Até que você abre uma timeline com 17 tweets seguidos do naipe:

“@voumostrarpratodomundo: ANIMAL! http://tinyurl.saf88g7ag”

Aí você olha e em cerca de 10 tweets, a mesma pessoa que twittou decidiu compartilhar a mesma coisa no agregador de feeds. Redundância, ou em outras palavras, perda de tempo!

Uns outros 3 são de pessoas promovendo o próprio texto em algum blog ou coisa do gênero:

“@blogueiro: Novo Post em Señor Montero: http://tinyurl.loser345542 – Como SPAMAR seus amigos”

Aí você tem aqueles 2 ou 3 links para notícias:

“Presidente americano Barack Obama diz que crise ecônomica pode causar aumento no preço do giz de cera”  – Se eu quiser ler notícias eu pego um maldito jornal!

Fora os desatualizados:

“@eununcaentronainternet: http://biturl.co-3n4-iu4 Gordinho NUMA NUMA #muitobom”

E por último, mas não menos importantes, os trollers:

“@umfdpqualquer: ANIMAL! http://biturl.goatse

Mandar URL no twitter é o novo mandar Apresentação de Power Point no e-mail.

5- Big Brother Brasil

Ver item 1- Futebol. Trocar palavras “futebol”, “campeonato”, “jogo” por “Big Brother Brasil”

“@amobbb: Acho que o Josefa tem que ir pro paredão. #bbb”

MANTRA!

6- Agendamento de reuniões

Sim. Existem muitas pessoas que decidem usar o twitter para tudo. Até para marcar de sair. Em vez de usar algum serviço de mensagens instantâneas (msn, gtalk), e-mail, ou até mesmo as DMs que são privadas. Mas nãaaaaao… Essas pessoas precisam agendar seus compromissos para TODO MUNDO ficar sabendo. Aí surge aquelas coisas hediondas do gênero:

“@oentediado: ei @fulano @ciclano @beltrano @deltrano @tétano, bora fazer algo hoje?”

“@fulano: hoje nem rola, estou trabalhando!”

“@ciclano: por mim fecha! Que tal irmos no blabla bar?”

“@oentediado: beleza @ciclano! Nove e meia tá bom?”

.

.

.

“@deltrano: acabei de tomar banho, to passando aí @ciclano. #partiu!”

OBS: Para fins de não aumentar este post ainda mais, 90% desta conversa foi omitida.

EU NÃO QUERO LER ISSO! USEM O E-MAIL, TELEFONE, GTALK!

7- Marketing

Ok. Eu odeio propaganda. “Colgate tripla ação”, “quer pagar quanto?”, “Cocô na casa dú pedriiinho!”. Eu realmente odeio.

Agora, imagine se seus amigos lhe  mandassem propaganda? Tipo, enfiassem um papel de imóvel dois dormitórios pela janela do seu carro. Facada nas costas, não?

As pessoas do twitter não se dão conta de que as malditas promoções são propagandas em pele de cordeiro! Eu não quero ter que aturar esse marketing barato (literalmente, barato) vindo dos meus próprios amigos e pessoas que eu sigo. Quer um exemplo?

“@euAMOesmalte: Eu quero um esmalte da nova coleção da COLORAMA http://tinyurl.lodjf230 #promoção” (Esse é comum, e as vezes, twittado 43 vezes seguidas, um para cada cor da coleção)

“@euAMOjedis: Eu quero aquela espada jedi que eu vi no Segredo do Gregorio: http://qui.gon354jin.url #segredodogregorio”

Agora imagina que você está numa festa conversando com os seus amigos, e um deles, de repente, para uma conversa muito legal e começa a falar por uns 3 minutos sobre como o novo creme dental que ele usa é recomendado por 8 em 10 dentistas, que inibe os nervos da dor, portanto sendo ideal para quem tem dentes sensíveis. Você não ia mandar ele a merda? Então…

8- RT

Ok! Um argumento muito importante para contrapor os fatos 1 a 7 seria:

Por que você não dá unfollow em quem você não gosta?

O motivo óbvio é que se eu der unfollow em você, você vai inevitavelmente ficar chateado comigo. Amigo tem que apoiar. Amigo que é amigo, quando vê o outro brigando já chega na voadora. Amigo não dá unfollow.

Outro motivo é o RT.

Tinha aquela pessoa muito chata, que só twittava besteiras e coisas insensatas (tipos de tweet 1 a 7). Ela era amiga de um amigo seu, você mal conhecia ela direito e, portanto, nem doeu dar unfollow nela.

Você pensa que se livrou? Nãaaaao! Os tweets dela continuarão a assombrar sua timeline, como fantasmas que voltam para puxar seu pé na cama, através de RTs do seu amigo. E lógico que tem ainda o Karma: como você deu unfollow, os tweets serão dez vezes mais escrotos e insuportáveis.

Outro contra do RT é que existe sempre aquela pessoa que vê graça no impossível:

“@semgraça: RT @didimocó: RT @zorratotal: RT @cassetaeplaneta: piada com rubinho barrichelo”

Sem contar que cascata de RT é tipo telefone sem fio. Lá pelo terceiro RT, geralmente ninguém entende mais nada.

9- Twittar no meio de show/cinema/balada/etc…

Por que raios as pessoas fazem isso?

Em vez de aproveitar o show, prestar atenção no filme, aproveitar a balada. Por que raios você vai pegar o seu celular, perder uns minutos digitando sobre o que você poderia estar fazendo, mas não está porque está digitando no twitter?

Não faz sentido nenhum para mim.

10- É uma GRANDE perda de tempo

Se você não percebeu isso ao ler os 9 motivos anteriores, vou simplificar para você:

Gastar seu tempo no twitter não te acrescenta em nada!

Se você quer conversar com seus amigos: use o g-talk, o telefone, o msn, e-mail, saia e vá pra casa de um deles, pro shopping, pro parque, pro bar, onde você preferir…

Se você quer ler notícias: entre num site de notícias e veja o que te interessa. Compre um Jornal.

Se você quer ver coisas engraçadas: acesse o Reddit ou blogs engraçados (a internet está cheia deles). Você pode criar um agregador de feeds (caso não tenha um).

Existe sempre uma alternativa fácil, melhor e mais eficiente para você fazer o que quer que seja ao invés de usar o twitter.

Pegue o tempo que você perde twittando e aproveite a vida, leia um livro, saia de casa.

Fim de Transmissão.

 

Reviravolta!

Eu fiquei com essa imagem na cabeça já faz uma semana:

True Story

Talvez, porque eu sempre me identifiquei com o nosso amigo Ted Mosby (da foto). Talvez, porque de uns tempos pra cá, eu me sinto mesmo um estranho. Eu me sinto “a completely different person who looks just like me”. Talvez, porque semana passada levei umas porradas na cabeça, dessas que você leva quando está fazendo as coisas do jeito errado e precisa apanhar para aprender.

No sábado, vi uma parcela dos meus amigos. Vi conhecidos antigos. E esse sentimento de que agora eu não passo de um estranho ficou bem reforçado. Não foi um sentimento legal.

No fim, eu me dei conta de que meses se passaram. Eu tive a sensação de que passaram num piscar de olhos. Foram meses que passaram em que eu estive ausente. Eu percebi que obviamente, meus amigos não sumiram. Eles estavam lá, fazendo as mesmas coisas de sempre. Eu sumi. E nem sequer consigo explicar o porquê. A impressão que eu tenho é que eu abaixei para pegar alguma coisa no chão e um ano passou e eu nem percebi.

Eu tento achar motivos, mas nem eu mesmo consigo explicar. A minha rotina mudou drasticamente. Meus gostos mudaram. Eu vejo claramente o processo que consolidou essa outra pessoa, completamente diferente, em que eu me transformei.

Agora eu tenho essa sensação de falta de mim mesmo. O meu eu estranho sente falta do meu eu que não era estranho.

Eu sei que de nada vale ficar parado encarando o passado com ares nostálgicos.

“Nothing back there for you to find, or was it you you left behind?”

Eu sei que não voltarei a ser a pessoa que eu era. Então, vou aproveitar toda essa reviravolta, para seguir em frente. Já que estou mudando, ao menos vou tentar mudar para melhor. Tentar não recair nos mesmos erros, aprender a administrar meu tempo e minha vida.

Já que é pra mudar tudo, então vamos mudar mesmo! Comecei a mudar minhas inscrições no google reader. Deletei um monte de inscrições, feeds que ninguém postava mais e deletei algumas porcarias que eu não tinha mais paciência de ler. Restaram apenas 20 incrições no meu agregador.

A ideia é a encher com coisas novas, como por exemplo, uns blogs de gente que vai nos restaurantes, tira foto do que comeu e conta a história. Nem sempre dá pra chamar isso de gastronomia, dado que gastronomia requer que vc vá pelo menos 3 vezes no lugar, etc… Já assinei 3 ou 4 desses.

Acho legal que dá pra ler esses blogs e ir marcando com estrela os posts que falam de restaurantes legais. É legal na hora de decidir onde comer, olhar uma lista de lugares diferentes que você tem vontade de ir! Aí, quando surge aquele aperto de: “vamos decidir onde comer?” ou quando eu quiser levar minha namorada num lugar legal e diferente, basta olhar os meus posts marcados com estrela e “it’s a bingo!”.

Os preparativos para uma reviravolta musical, literária e agora, gastrônomica já estão em andamento. Ou seja, alimentei boa parte dos meus hobbies (tá, nem falo de filmes porque o cinema e o telecine/locadora dão conta do recado, e eu já vejo MUITO filme).

Bom, post imenso. Parece que certas coisas nunca mudam.

Fim de Transmissão.

Ignorante!

Você já se sentiu um completo ignorante?

Não sei porquê, mas eu me sinto assim quase que o tempo todo. Talvez porque se eu enumerar os últimos 5 livros que eu li, vão ter uns 2 que são da Stephenie Meyer (eu acho que tem horas que a gente tem que vestir a camisa da vergonha e seguir em frente). Talvez seja porque não existe alguém que não seja um completo ignorante perante o conhecimento. Ou talvez seja porque eu me sinto responsável pela minha própria falta de cultura.

Eu acho que isso é tudo culpa da internet. Não me levem a mal, acredito que a Internet facilitou em muito nossas vidas. Como previu o Asimov, o conhecimento se tornou acessível. Contudo, se o conhecimento é tão fácil, cada um de nós se torna responsável pelo próprio crescimento intelectual. Digo, temos bibliotecas de livros, arte, música, disponíveis online a apenas toques e segundos de distância. Cai sobre nós uma responsabilidade imensa de buscar aquilo que os nossos antepassados não conseguiam, por falta de meios. Basicamente, temos um grande poder com a internet. Seguindo essa vybe do Stan Lee (camisa da vergonha parte II), eu sinto que eu não honro as minhas responsabilidades.

Por isso, eu decidi buscar uma iluminação cultural e ler livros decentes! E vou começar pelo seguinte livro:

Que a força (de vontade) esteja comigo!

É o livro de um nigeriano chamado Chinua Achebe. Parece interessante. Está cotado como o primeiro lugar em duas listas que peguei, duas posições acima do meu livro favorito de todos os tempos! É bem provável que esse não seja o melhor do mundo (dado que isso é muito pessoal O.o), mas com certeza o livro tem muito a me acrescentar.

E não pensem que eu esqueci dos CDs, muito pelo contrário. Defini o primeiro CD que colocarei na minha bolsinha mágica de CDs. É este aqui ó:

Esse album é realmente incrível!

Ele vai ser a trilha sonora ideal dos meus primeiros capítulos na noite de hoje!

Bom, deixa eu ir que tenho um livro me esperando!

Fim de Transmissão.

Quebrando a promessa!

A vida parece que corre tão rápida. Basta um instante para que as coisas ao seu redor de repente mudem drasticamente. O exemplo pertinente ao que me refiro: de um dia para o outro, suas companhias mudam. É efêmero como a vida. As amizades e conexões que fazemos simplesmente se desfazem. Num evento em que ninguém é culpado, a vida simplesmente segue em frente.

E eu sofro por não aceitar que certas coisas acabam. Por não aceitar que as pessoas se esquecem do que você fez por elas, ou talvez não esquecem, mas o que você fez de bom se torna infimamente pequeno perto do que fez de ruim. Resumindo, as coisas se desgastam. E independente do esforço mútuo (?) de reviver o passado, o presente se perpetua.

Para seguir em frente, eu tento me livrar dos arrependimentos. Livrar-me da culpa de não ter dado certo. No fundo, deu certo. Durante aqueles momentos, deu muito certo. Agora não dá mais, por razões que fogem da minha mente calculista. Mente esta que varreu um vasto espectro de possibilidades e erros que eu posso ter cometido, avaliando os porquês do inevitável.

Dizem que a gente vive no passado ou no futuro quando deveríamos viver no presente. Eu sou culpado de viver no passado. Em meus momentos nostálgicos, o passado se revela um grande companheiro. Lembro-me de noites varadas no CM, cafés no Starbucks, noites de balada cantando Tenacious D no carro, horas de conversa e risadas, bar do Moe, e outros  momentos tão meus e que não fazem sentido para ninguém além das pessoas que dividiram estes momentos comigo. Momentos que me definiram, que me fizeram quem eu sou.

Por mais que as coisas chegaram no ponto em que estão, em meu coração o sentimento por essas pessoas se mantém o mesmo. Por mais que eu não as veja todo dia, por mais que as coisas tenham mudado, sei que se nos encontrarmos, para mim nada terá mudado, ainda terei meu sorriso no rosto, meus assuntos enfadonhos ou ridículo-cômicos, minhas piadas sem graça. Não sentirei tristeza, não tratarei ninguém diferente. No fundo, no fundo é isso que faz o nosso canal tão legal assim essas pessoas ainda tem um pedaço de mim. Um pedaço que elas mesmas construíram.

Só restará a dúvida do porquê, mas nem todas as perguntas tem resposta, não é mesmo?

Quebrei uma promessa de que não ia fazer mais esse tipo de post emo! Comecei escrevendo sobre a bolsa de CDs e acabei terminando com Roads no repeat do youtube (mandaram bem na feature nova btw!) e esse texto baita melancólico. Afinal, estamos todos fadados a repetir os mesmos erros over and over não é mesmo?

Fim de Transmissão.

A bolsa de CDs indispensáveis!

Oito meses atrás, eu estava com 2 amigas andando a esmo no meu carro pela cidade de São paulo. Estávamos escutando um CD desses que você grava em casa, com músicas escolhidas a dedo para garantir a diversão dos ouvintes.  Eis que entra no rádio uma melodia pela qual a moça sentada no banco de trás sentia muito apreço. Tamanha era a paixão da garota pela música que, do banco de trás, ela se esticou e conseguiu aumentar o volume até o número 23 aparecer no display. Caso não tenha ficado claro, o som ficou em altíssimo volume, quase ensurdecedor  para quem estivesse dentro do veículo. Magnitude esta que eu considero apropriada apenas nesse tipo de ocasião, quando se roda a esmo antes de balada ou programa noturno.

POWERFUL!

Uma semana antes do episódio, outro acontecimento ocorrera. Foi esse acontecimento que caracterizou de maneira única o dia do volume 23. Na semana antes, cansado dos maus-tratos causados pelos meus dedos brutos, o botão de diminuir o volume do rádio do meu carro decidiu se suicidar. Saltou em direção ao inevitável, aterrissando no tapete do meu carro. Morreu ali, gelado em meio aos sulcos de borracha. O rádio, portanto, perdeu a capacidade de ter o seu volume reduzido.

Ele não aguentava mais ser pressionado!

Juntando os dois acontecimentos,  restou-me um aparelho de som cujo volume era sempre ensurdecedor e, consequentemente, impróprio para o uso diário. O preço do conserto, como de costume, equiparava-se ao de um novo aparelho. Oito meses se passaram em que eu tolerei o infernal trânsito paulistano desprovido de acompanhamentos musicais outros que as buzinas alheias. Mas esses dias acabaram! Hoje eu comprei um aparelho de som novo para o meu carro.  Aí que fui olhar os meus CDs, pensando em compor trilha sonora adequada para o estressante trajeto que percorro diariamente. Contudo, outra surpresa:

Meu CD da Spice Girls estava RIS-CA-DO!

Piadas a parte, a minha surpresa foi que eu me dei conta de que eu não podia mais andar por aí com uma bolsinha de CDs com 34532452 discos do Pearl Jam e uns outros 4 ou 5 que eu ouvia quando tinha 15 anos e que estão repletos de músicas que hoje em dia eu tenho vergonha de admitir que escutava. Resumindo, eu me dei conta de que: Eu preciso de CDs novos!

Boa noite senhor! Você gostaria de estar comprando....

Eu não sou nenhum especialista em música. Passei a maior parte da minha vida ouvindo só as faixas que me agradavam, sempre menosprezando o valor do álbum. Faz pouco tempo que compreendi que um álbum de música, assim como um livro, é composto por várias partes que formam um todo e que cada faixa é como um capítulo.

Então, tive a ideia de definir uma bolsa de CDs indispensáveis. Isso compreende escolher um case legal (e portanto o número máximo de CDs indispensáveis), procurar e ouvir inúmeros CDs e escolher os caras que irão compor a minha coletânea.

O conceito de uma bolsa que tenha o que você precisa me pareceu familiar...

E assim nasceu a ideia do projeto que eu chamei de Felix, que é essencialmente compor uma bolsa de CDs indispensáveis, descrevendo todo o processo aqui! Espero aprender e me divertir muito nessa empreitada!

Que comecem os jogos!

Dentro de Vagões…

Lembro-me que eu queria comprar um smartphone para poder postar enquanto estava no trem. Na verdade, o trem (quando vazio, óbvio) é uma experiência agradável, ao menos para mim. Acho que a sensação de, literalmente, ver a vida passando pela janela, me faz pensar na vida. É um momento que mexe comigo e me leva a introspecção. Bom, descobri hoje que é impossível postar qualquer coisa usando o meu smartphone.

Meu Smartphone está mais para um Dumbphone! Talvez dumb seja eu por tê-lo comprado!

Ao menos, a tranqueira em questão serviu para proporcionar ideal trilha sonora para embalar a minha introspecção. De volta aos trens, digo que a minha fixação por momentos introspectivos dentro dos vagões surgiu cedo. A primeira vez que isso mexeu MUITO comigo foi quando eu assisti “viagem de chihiro”. Ainda lembro da sensação estranha que senti ao ver a menina viajando. Pra vocês terem um gostinho…                                     NOT

Momento vergonha alheia: eu gosto desse filme, tá!

Hoje eu senti como se tivesse um peso enorme na minha cabeça. São tantas responsabilidades que eu me sinto carregando o mundo nas costas. São muitas as coisas que vem sendo pilhadas na minha já imatura cabecinha de 22 anos. Parece que alguém sentiu que eu estava lá, de boa, e decidiu então colocar mais uma pilha de responsabilidade na minha vida. Eu me sinto tão imaturo para minha idade. Tipo, eu gosto de “viagem de chihiro”. Como raios eu posso estar opinando em como melhorar um curso de pós-graduação na universidade de São Paulo? Como raios eu posso publicar um paper na Nature Biotechnologies se até a semana passada eu ia 3 vezes por semana fazer lan party na faculdade?

Aí meu ciáaatico... Ei, lordose!

Quando eu entrei no primeiro dos vagões que me levariam para casa, só conseguia pensar que 6 anos se passaram e eu senti que não mudei nada. Sinto que sou a mesma pessoa, com os mesmos defeitos,  mesmos trejeitos e manias. Parece que eu passei tanto tempo me cobrando, tentando mudar e não consegui. Eu continuo fazendo piadas sem graça. Continuo dando mais importância para o que os outros estão pensando, ou o que acho que estão pensando, do que eu deveria dar. Continuo não sabendo administrar meu tempo e minhas coisas. Continuo me expondo demais, falando o que não devo, sendo ingênuo, expondo meus sentimentos e minhas falhas. Acima de tudo, eu continuo escrevendo aqui nesse blog. Parece que eu dormi no vagão e o trem circulou a linha toda e voltou para o começo.

Usando outra analogia ruim: Parece que eu dei a volta no tabuleiro do banco imobiliário, não comprei nenhuma propriedade e que os 200 que recebi no "Início" serviram pra pagar o Imposto de Renda!

Acima de tudo, o que mais pesou na minha cabeça é o fato de que eu não sei aceitar os meus erros (e como isso NÃO mudou ao longo dos anos). Eu tento além da conta ser perfeito, em tudo o que eu faço. No trabalho, nos estudos, com minha família, meus amigos, no relacionamento. Só que, óbvio, ninguém é perfeito! E eu falho miseravelmente toda vez! Ou devo dizer que falho epicamente?

Every once and a while, life kicks you in the nuts!

Acontece que a gente foi feito para falhar. Errar é humano, é o que dizem. Eu só não aceito quando EU erro. É uma cobrança absurda da minha parte para ser perfeito e não poder errar.  Por isso que eu tento TANTO me mudar. Sempre estou treinando, tentando ganhar xp e subir de nível (eu sei, a vida não é um RPG), tentando melhorar, crescer, amadurecer . Perceber que as coisas não mudaram quase nada chega a ser desanimador.

É como estar na corrida da Rainha de Copas! Correr para não sair do lugar!

No fim, fiquei convencido de que as pessoas que realmente querem fazer parte da minha vida acabarão tendo que aceitar os meus defeitos porque eles não irão mudar tão cedo! Isso parece meio óbvio, mas me levou tantas idas e vindas de trem na vida para chegar nessa conclusão que vocês não acreditariam.

Pelo menos, eu não precisei ir para o Alaska e morrer para chegar numa conclusão óbvia!

Ao menos sinto que, depois de tanto tempo fechado,  finalmente estou me abrindo de novo. Isso é legal, e aliado a pequenas coincidências, é capaz de fazer o mundo ficar um pouco mais leve.

For so long, I've been shut...

Post enorme. Melhor encerrar porque minha estação é logo ali… NOT

Fim de Transmissão.

Nem só de sonhos…

Quando a gente quer muito acreditar em alguma coisa, a gente tem uma tendência muito forte a se iludir. Ao menos eu sou assim. Minto para mim mesmo, engano-me na maior cara de pau! Vejo coisa onde não tem e fantasio que um evento simples é na verdade uma conspiração universal de eventos complicados.

É realmente triste se dar conta de que tudo que você pensou que era, não era. Que tudo que você achou muito maior, na verdade, não era nada demais. Era o velho mascarado, polido, educado. Apenas educação.

Aí você se dá conta de que tem horas que é preciso parar de viver no mundo dos sonhos e voltar para a realidade.

Na realidade, tudo não passou de um sonho, dentro da minha cabeça.

Agora, é aquela clássica hora do bola pra frente. Afinal, nem só de sonhos vive um homem.

Fim de Transmissão.

Sobre sonhos…

Sabe, é legal  ter um sonho. Ou vários por assim dizer. Sempre fui meio adepto de que o que realmente nos torna  únicos é a nossa capacidade de sonhar. E não estou falando dos sonhos da hora que você dorme, mas sim daqueles outros.

Também não é desse Sonho aqui!

É estranho sonhar! Sonhar com coisas que você nem ao menos sabe o que é. Sonhar com pessoas que não existem, com momentos que nunca existirão, ou com memórias que não passam de sonhos. É um negócio tão curto, tão efêmero, mas mesmo assim tão profundo. Tão valioso.

Eu acredito que talvez a pergunta que nos conte MAIS sobre uma pessoa é: “Quais são seus sonhos?” (ou a variante “Com o que você sonha?”).

Isso nos diz muito mais do que “Qual seu filme favorito?” ou “Por que você não gosta de Radiohead?”. Ironicamente, essa é uma pergunta tão cheia de respostas, de mistérios, de possibilidades. É uma pergunta incrível, mas que você raramente faz. E eu lhe pergunto, caro leitor, por quê?

A maioria das pessoas acha Radiohead deprimente ao extremo. Eu acho fenomenal para ouvir sonhando acordado!

Vou começar dizendo com o QUÊ eu sonho.

Eu sonho um dia ser um escritor.  Um escritor de histórias tão bobas quanto a do leve-toque-de-pé-nas-nadegas-que-mal-poderia-ser-interpretado-como-chute que desferi na minha primeira namorada e que causou aquela lágriminha (não de dor, mas de orgulho ferido) que ficou contida no canto do olho dela e que até hoje me dá vontade de rir.

Eu sonho em poder fazer as pessoas felizes com o que eu escrevo.

Eu sonho em poder descobrir algo que sirva como uma pedra para edificar conhecimento. Um alicerce, por menor que seja, que possa levar a alguma descoberta importante. Algo que possa beneficiar a humanidade.

Eu sonho com meus amigos.

Sonho com risadas, com viagens, com novas experiências, novas vivências.

Sonho em ser capaz de fazer as pessoas que eu amo mais felizes.

Eu sonho com ela.

No fim, eu sou assim. Nu e cru, descrito numa lista boba de sonhos. Na maioria das vezes, são sorrisos, sensações, desejos. Na maioria das vezes, são eu mesmo, de outro ângulo.

Eu gostaria de saber com o que as pessoas que eu conheço gosto sonham. Mas não sei se isso é íntimo demais para ser perguntado. Hoje em dia, chega a ser íntimo demais perguntar para os outros “quem eles são”. Todo mundo é tão fechado! Qual é a graça de viver preso dentro de si mesmo? Bom, melhor parar por aqui.

Fim de Transmissão.

Esquinas e Montanhas-Russas

Chega a ser estranho como aquilo que você procura pode estar bem ali. Esperando por você na próxima esquina. Rindo-se da sua cara de surpresa e felicidade a hora que “Aquilo que você procura” saltar no meio da calçada e te assustar. Aquilo pode estar just around the corner logo ali.

Não estou falado de nenhum tarado/estuprador/cadeirudo! Isso é um blog sério!!

Acho que no fim, a vida é feita de esquinas. Não faz  sentido olhar para trás com tantas coisas incríveis nos esperando pela frente. Não vejo razão em ficar preso ao passado sendo que existem infinitas possibilidades esperando só que dobremos na próxima curva.

Eu estou pronto para o que der e vier. Pronto para a próxima ride volta na montanha-russa.  Todas as surpresas, felicidades e tristezas, altos e baixos. Estou pronto para as fortes emoções, para os loopings que varrem meus pés do chão e me jogam nas nuvens. Estou pronto para amadurecer, crescer e me tornar uma pessoa melhor. Estou pronto para me encontrar, perdido por esquinas e montanhas-russas!

Quem, assim como eu, é fanático por montanhas-russas sabe que quanto maior e mais rápido melhor!!!

Fim de Transmissão.