Tudo Pode Acontecer…

Sobre Formigas e Torinos!

Publicado por: Saulo em: Setembro 27, 2009

Estranho pensar que quase toda minha cultura é proveniente de um televisor.  A TV tem um impacto grande sobre a minha pessoa. Quase uma hipnose! Talvez por isso eu viva nesse mundo de “quarterbacks” e “prom queens”. Talvez por isso eu seja tão maniqueísta. Tudo para mim é tão dividido entre o bem e o mal. Meus ideais, minha moral, tudo construído em cima do auto-sacrifício.

As vezes me pergunto porque será que foram esses os val0res que eu assimilei. Digo, eu poderia querer ser o galã que pega todas, o super-herói mutante que destrói tudo e salva o dia, eu poderia querer ser um rock star ou vampiro adolescente emo que encontrou sua paixão.

Os valores que eu assimilei foram aqueles que eu considero como nobreza, como bom coração. São valores como aqueles que a gente vê no personagem de Will Smith em “Sete Vidas” ou como o de Clint Eastwood em “Gran Torino”. Eu queria doar meus orgãos, queria servir sopa em comunidades, eu queria doar tudo o que eu tenho e viver na natureza, eu queria ter um coração tão grande desses que a gente só vê em filme, sabe?

Sinceramente, não me importa se existe vida após a morte. Não importa se você acredita em reencarnação, se acredita em karma, ou em céu e inferno. Na verdade, a humanidade prosperaria se nós nos ajudassemos um mínimo. Tanta tristeza poderia ser poupada. Tanto sofrimento poderia ser evitado.

Sempre fui fã daquela história da formiga tentando apagar o incêndio. Ao ser chacoteada pelos animais da floresta, que obviamente sabiam que um inseto nunca conseguiria apagar tamanho fogaréu, ela respondeu com bravura que ao menos estava fazendo a sua parte.

Eu não ligo se o mundo inteiro pense que eu sou um idiota. Eu realmente não ligo se você pensa que eu sou tonto e como cocô. Eu sou contra violência, sou contra tropas de elite matando traficantes, sou contra porte de armas, sou contra vingança, contra raiva, contra o ódio. Eu só queria poder ajudar, eu só queria do fundo da minha alma poder me doar, ter forças para conseguir  ser tão nobre quanto eu gostaria, ser tão bom quanto eu gostaria.

Na minha cabeça, a caridade começa em casa. Começa com todo mundo que você conhece. Começa com um sorriso, com gestos pequenos que podem mudar tudo. A simplicidade como a chave de tudo. Mesmo que muitas vezes eu falhe, eu estou tentando. Estou dando meu melhor para fazer a minha parte. Eu acho que as oportunidades nos são apresentadas conforme nossos desejos. Acho que o meu jeito de ajudar, o meu jeito de ser nobre, o meu jeitinho de ser um bom coração é com a ciência, dado o rumo que minha vida tomou.

Acho que mesmo que eu descubra o equivalente a um grão de areia em uma praia no conhecimento necessário para curar alguma doença, mesmo que eu contribua com um infinitésimo para o progresso da ciência e da humanidade, eu estarei fazendo a minha parte. Estarei dedicando o minha existência para a prosperidade da nossa espécie. Estarei fazendo minha parte para apagar o incêndio. Mesmo que eu seja só uma formiga.

E na verdade, somos todos formigas e torinos tentando descobrir nosso caminho.

Fim de Transmissão.

Despertar

Publicado por: Saulo em: Setembro 27, 2009

Devo confessar que quando acordei transformado foi um verdadeiro choque. Por vezes, dei asas a minha imaginação tendo em mente a infinidade de livros e filmes sobre o tema. Sempre tive essa imagem de vampiros estupidamente bonitos,  exalando um perfume irresistível,  com cabelos lisos como seda e pele pálida como o luar. Antes mesmo de abrir os meus olhos, tudo o que eu sentia era um odor insuportável de putrefação. O meu próprio cheiro. O cheiro de morte. No peito, eu não sentia mais o coração batendo, não sentia sangue nas veias e nem calor no meu corpo. Contudo, nada se comparava ao cheiro. Um fedor de podre! Eu deveria estar sendo devorado por vermes e qualquer parte do meu corpo gritava por isso.

As lembranças do que aconteceu eram nada mais do que um borrão na mente. Eu estava voltando para casa, caminhando durante a madrugada. Foi tudo tão rápido. Ele pairou no ar e me tomou nos seus braços como se eu fosse de papel. Seus olhos eram profundos e estavam fixos nos meus. O mundo girou e girou. Não hesitei. Não tremi. Não gritei. Eu sabia o destino que me aguardava. Podia sentir a morte tocar meus dedos. Mesmo assim me mantive firme. Isso pareceu agradá-lo. Ele sussurou uma pergunta no meu ouvido. Perguntou se eu ansiava pela imortalidade. Eu devia ter dito não. Que burro, eu devia ter dito NÃO.

Agora eu era a morte. Sentia tudo tão morto e sem vida como se o universo tivesse se transformado em pedra. Sentidos aguçados? Sempre pareceram tão imponentes! Mas de que adianta uma visão melhor se com ela você acaba por enxergar que tudo é muito mais feio e podre do que você imaginava? Eu estou necrosando! Você consegue ver beleza em necrose, gangrenas e pústulas ? O fabuloso destino dos sonhos.

Tão logo lidei com minha condição desprezível que só pude pensar em abrigo. Eu me encontrava completamente sozinho no mundo. E a solidão com sentimentos aguçados é ainda mais solitária. Contudo, encontrar propício esconderijo se tornava uma necessidade mais berrante do que suprir qualquer sentimento. A singela luz dos postes na rua era um tremêndo incomodo. Imaginei que talvez livros e filmes estivessem certos ao menos sobre o Sol. A auto-aniquilação parecia uma opção tentadora, mas eu tinha a eternidade para ponderar sobre esse assunto. Considerei minhas opções de lugares abandonados e sem muita luminosidade.  Entre uma cripta e um esgoto, escolhi o primeiro. Pareceu-me mais vampiresco.  Rumei para o cemitério mais próximo.

Fim de Transmissão.

Um Pedido Singelo

Publicado por: Saulo em: Setembro 21, 2009

Ela entrou no local pisando forte, com belos saltos vermelhos e um traje preto. Reparei que já fazia tanto tempo que eu nem mais lembrava o som de sua voz. As saudações foram ríspidas, secas por assim dizer, dignas de um passado ruim. Muitos e muitos dias se passaram, mas o feito nem sempre pode ser desfeito pela ação do tempo. E ali, senti que eu realmente era um fardo. Uma mágoa que deveria se esgueirar para o canto e deixar a vida acontecer.

Sei que cometi erros e alguns deles eu realmente sinto vergonha de ter cometido. Nessa conta, eu posso somar mais um erro que foi não ter tido a coragem de pedir desculpas. Penso que talvez teria sido em vão e que só daria mais margem para que eu fosse humilhado. Penso que mesmo assim, eu o deveria ter feito. Por mais graves que tenham sido os meus atos, meus crimes para com os meus próximos, hoje me arrependo em amargura. Queria desfazer esses deslizes, corrigir o passado, queria pedir desculpas e ser perdoado. Queria que pudéssemos sorrir juntos e deixar o passado aonde ele pertence, no passado.

Não posso mudar o passado, mas sou dono do meu próprio futuro. Sei que não posso mudar o que fiz, mas sou eu quem decido o que vou fazer. Fica aqui meu singelo pedido de desculpas.

Fim de Transmissão.

Jimmy Bolha!

Publicado por: Saulo em: Agosto 11, 2009

É incrível como as vezes sinto que não estou pronto para o mundo.Não sei se vocês compartilham comigo essa sensação de viver numa bolha? De viver num mundinho só seu, livre de tudo o que há de ruim. Uma sensação de imaturidade, de ingenuidade, de cegueira!

Eu digo isso porque me impressiono MUITO fácil.

Eu me impressiono em saber que uma pessoa, na festa que eu fui sábado, pode ter ingerido ecstasy.

Eu me impressiono em pensar que as pessoas só pensam em sexo e que tudo gira em torno disso. Que é todo mundo querendo comer todo mundo e só pensando loucamente nisso. E a pessoa te conhece pensando em sexo, pensando em te usar para o prazer dela. Isso me impressiona.

Eu me impressiono em perceber como as pessoas estão desvirtuadas dentro daquilo que eu tenho como moral. Será que eu estou tão errado assim? Será que tudo o que eu acho que é errado na verdade é certo e eu não sei? Será mesmo que o amor é um crime?

Eu definitivamente me impressiono com o Garden of Stone Dead!

Eu me impressiono quando colocam substâncias ilícitas na sua bebida e te induzem ao sexo. Eu me impressiono só de pensar que existam pessoas capazes de tal feito.

Eu me impressiono de como as pessoas são confusas, inseguras, assustadas. De cada loucura que as pessoas fazem por conta disso. Por medo.

Eu me impressiono quando uma senhora lésbica se aproveita de uma adolescente bêbada (repetitivo?).

Eu realmente me impressiono com “beijar 300 pessoas numa micareta”. Promiscuidade? This… is… SPARTA!

Eu me impressiono sempre que me falam que “todo mundo cheira”! E me falam como se fosse a coisa mais normal do mundo. Como ASSIM? Enquanto eu estou aqui tentando desvendar o porquê das sensações estarem tão associadas ao cheiro das coisas, eu descubro que todo mundo usa o nariz para outra coisa.

Eu me impressiono as vezes de entrar num lugar diferente. Me impressiono de ver atitudes. Me impressiono com as coisas mais frívolas, como uma conversa absurda dentro do trem.

Malditas impressões que me deixam tão chocado.

Fim de Transmissão.

Um Bom Dia

Publicado por: Saulo em: Agosto 10, 2009

Voltando aí com meu ciclo de posts maçantes, agora que não mais trabalho tanto, começo com um postzinho bobo que pensei hoje no trem:

Um bom dia começa com um café na cama e um beijo gostoso na boca. Você divide então o café da manhã com aquela moça linda ao seu lado, com quem você sonhou durante toda a noite e com quem dividiu a cama. Após o devido desjejum romântico, no bom dia rola aquele sexo espetacular para o dia começar bem. Aí vocês continuam na cama, enrolados em cobertores, com pernas e braços trançados, carinhos e conversas, um momento perfeito. Alguma hora você há de levantar para se arrumar e sair para almoçar. O ideal em um bom dia é guardar umas duas horas e meia para se arrumar, porque depois de meia hora se arrumando, você se desarruma, joga a moça na cama e faz sexo de novo. O almoço consiste em levá-la em algum lugar legal, restaurante arrumadinho com comida boa e preço justo.

Depois do almoço, é hora de um tempo com os amigos. Aí você deixa a moça na casa dela e parte para o seu hobby com os amigos depois de uma despedida romântica. Beber cerveja e ver futebol na tv é o costume da maioria dos caras, mas no meu caso é jogar umas partidas de DotA com o pessoal. Num bom dia, você  ganha as quatro ou cinco partidas da tarde e volta feliz para o seu lar. Todas são de 4×4 para cima.

A noite é a hora de chamar o pessoal para a sessão cinema em casa. Aí você chama aqueles amigos do peito para dividir uma pizza ou fazer um fondue ou estourar umas pipocas. Depois cada um dos seus amigos toma um lugar do sofá, um dvd legal é escolhido na hora, e você aperta o play na sua tv de lcd de altas polegadas. O surround do home theater e os cobertores m caso de frio terminam por ajustar o clima do fim do bom dia. Após o filme, rolam umas conversas e umas risadas.

Nessa hora, se você tiver com preguiça você pode estender as conversar até uma hora razoável para você ir dormir. Caso contrário, você espera os amigos irem embora e chama uma moça para uma noite de paixões ardentes, haha. A última e sempre viável opção é sair com os amigos para algum bar/balada, conversar ao som de boa música e conhecer pessoas novas. Se você opta pela última opção, o bom dia termina com você conhecendo a moça do próximo bom dia.

Claro que se todos os dias fossem assim a vida seria perfeita. Mas sempre rola um medo de que você acabaria cansando de tudo isso. E se você cansasse de fazer sexo, comer fora, jogar DotA, ver filmes, conversar com os amigos e sair de bar/balada, que sentido a vida teria?

Vai ver é por isso que dias bons são tão raros na nossa vida. Só para a gente sentir o gostinho e ficar com vontade de quero mais. Para nós termos algo com o que sonhar, algo a se desejar. É igual feijoada que só é servida de quarta e sábado. Se fosse todo dia não era especial.

Maldito sentimento platônico!

Fim de Transmissão.

Sensações de 7 dias

Publicado por: Saulo em: Julho 26, 2009

Começa assim com um texto. Um pretexto. Uma fuga da realidade que consegue ser muito mais dura do que se imagina. E que no meu caso não é. Milhares de impressões se passaram no meu cansado coração desde a última postagem. Impressões insignificantes e magnificantes.  Impressões capazes de fazer tudo parecer frívolo e ao mesmo tempo importante. Dicotomia bizarra que dirige minha vida.

Queria mesmo ter tido mais tempo para postar. Nessa que é, oficialmente, minha última semana de trabalho terei menos tempo ainda para escrever. Eis que chega no domingo, aquele banzo gigantesco assombrando meus cabelos,   e o impulso de escrever é mais forte do que o de não escrever (também conhecido como descansar, ou procrastinar).

Passei por invernos nessa última semana. A semana de aniversário é sempre uma confusão mental e emocional.

Resumão:

Na segunda, levei um susto que me fez ver o quão ínfimas são minhas frescuras comparadas a problemas de verdade. Sensação da segunda: medo.

Na terça, tive uma surpresa levemente agradável que foi rapidamente substituída por tenebrosos fantasmas do passado.  Sensação: frustração.

Na quarta, fui invadido por uma sensação de felicidade inimaginável. Estava embriagado de júbilo, num estado de bobeira quase crônica. Sensação: felicidade.

Na quinta, foi mais um dia de fantasmas do passado. Situação repetida, que foi superada melhor do que eu imaginava. Sensação: orgulhoso de mim mesmo.

Na sexta, um dia de expectativas, entrevista, conversas, caos. Um dia tremendamente agitado, muito trabalho (pouco passou não finalizado), correria para os preparativos de um aniversushi em cima da hora. Sensação: Expectativa.

Sábado foi um dia morto. Oito horas de video-game e um bolinho de parabéns numa praia com chuva. Sensação: Vazio.

E o domingo! Domingo foi o sábado 2 vezes mais forte. Senti o peso de muitas coisas nas costas. Incrível o que os ares litorâneos são capazes de fazer na pele de um ser escamoso como eu. Quase fui dormir as 18 hrs da tarde.

Torçam para que eu volte a ter tempo de postar. Por menos que gostem dos posts, torçam pela minha sanidade!

Fim de Transmissão.

Psicose em Pílulas

Publicado por: Saulo em: Julho 15, 2009

Eis que percebi que essa semana eu estou mais mal-humorado do que o de costume. Certamente, homens não tem TPM e chocolate se mostrou incapaz de resolver o meu problema, portanto descartei essa hipótese.

Além de extremamente irritável (sério, hoje fiquei puto com o bem-te-vi que estava cantarolando do lado de fora da minha janela), estive tendo problemas sérios para conseguir dormir. Pior que fiquei puto ao deitar na cama morrendo de sono e não conseguir cair no sono.

Aí fui ler a bula do antibiótico que estou tomando para desencargo de consciência. Adivinha só a listinha das reações adversas:

-Agitação, Alucinações, Delírio, Problemas de Sono e Psicose!

Tipo psicose em pílulas! Assim eu fico puto mesmo!

Fim de Transmissão.

Sensação

Publicado por: Saulo em: Julho 12, 2009

Cara, é estranho. Eu nunca tinha me sentido assim. É como se, eu não sei, houvesse um bando de pessoas torcendo para que eu terminasse uma maratona. Mas não era para que eu terminasse em primeiro. Era simplesmente um apoio, um incentivo para que eu fosse adiante. Uma parabenização pela minha tremenda força de vontade, pela minha determinação. Como se todos me estimulassem a chegar. Mesmo que fosse em último. Porque o importante, depois de tudo o que eu passei, era cruzar a linha de chegada.

Tudo que me acontecia pareciam flashs de câmeras fotográficas. Pessoas aplaudindo e gritando meu nome no meio da multidão. De mim, surgiu uma força magnífica para continuar. Eu não ia parar. Não depois disso. Nada, nem ninguém, iria me impedir de alcançar aquele lugar que era só meu. O meu lugar no mundo, o meu lugar no destino. Continuei passo por passo, sem abaixar a cabeça. O peso do mundo em minhas costas não era suficiente para me fazer parar. Queria conseguir. Eu conseguia sentir o gostinho da linha de chegada como se fosse a minha primeira vez.

Minhas pernas adormeciam. Comecei a ver tudo ficando embaçado. Respirei fundo. O sangue me faltava a cabeça. Era esse o momento. O grande momento. A minha grande vez.  Saltei, levitei. Mãos me guiaram pelo ar. Segui adiante, rasgando o ar enquanto braços e mãos me faziam flutuar. Tudo estava escuro, exceto pelos flashs. Pareciam a luz de máquinas. Senti um forte baque nas costas. Havia eu caído? Havia eu sucumbido perante a fadiga dos meus próprios atos?

Abri os olhos. Estava além da linha. Sorri. Era o sucesso, invadindo-me. O sabor de conseguir. Era o prazer de ver mais uma linha de chegada ultrapassada. Mais um limite quebrado, mais um obstáculo transposto, mais uma vez, eu consegui. As mãos me repuseram no chão. Senti um leve empurrão, e instantaneamente compreendi! As barreiras nunca param, sempre haverá linhas de chegada para serem cruzadas. Novamente, levantei a cabeça, olhei o céu e continuei em frente. Pronto para a próxima. Pronto para a vida.

Fim de Transmissão.

Astrônomos Perdidos

Publicado por: Saulo em: Julho 12, 2009

Lembrei-me que um certo professor falava que distância/métrica eram coisas extremamente relativas. Que para um físico de partículas 1 cm era quase infinito e que para um astrônomo isso era aproximadamente nada. E eu nunca tinha parado para pensar que o meu mundo e o jeito que eu lido com as coisas é relativo.

Foi hoje que me senti como um físico de partículas rodeado de astrônomos. Uma pessoa que acha que 1 cm é infinito, cercado de pessoas que acreditam cegamente que 1 cm não é nada.  Descobri que por conta disso tudo na minha vida é complicado. É simplesmente porque eu torno tudo complicado. Tudo amplificado.

Eu nunca tinha enxergado os benefícios de complicar amplificar tudo. Podem até dizer que o meu jeito de viver está errado, mas se não sou eu, quem mais vai decidir o que é bom para mim? E não me arrependo de nada. Não me arrependo do meu jeito de viver, nem um pouco. Não vejo motivos para querer mudar, muito pelo contrário.

O fato de ver um bando de astrônomos que não sabem nem achar o caminho da própria casa, um bando de astrônomos perdidos, só me faz sentir vontade de enxergar cada vez mais os detalhes. No fundo, por menor que você torne os seus problemas, eles continuarão lá. Mais um motivo para você tornar tudo maior e regojizar mais das suas alegrias e emoções.

Por isso, vivo em um mundo amplificado. Vivo através de uma lente de contato. Vivo em um filme de hollywood. Tudo na minha vida tem que ser uma cena de cinema. Desde um beijo até um simples aperto de mão. Eu vivo como se a minha vida fosse acabar em duas horas. O tempo da minha película expirar.

Guess what? I don’t regret it. I don’t regret a thing. E você? É um astrônomo ou um físico de partículas?

Fim de Transmissão

Little people like bubbles in a bottle of soda

Publicado por: Saulo em: Julho 10, 2009

Você já sentiu como se, apenas por um instante, sua tênue conexão com a vida fosse tangível? Como se você pudesse sentir o elo que lhe atava preso ao mundo, a tudo? Como se você fosse capaz de compreender a fragilidade e a infinitesimalidade desse vínculo que momentaneamente lhe prende ali, ou aqui?

Nesse momento, ocorreu-lhe que simples assim você poderia alternar para fora da sua realidade? Simplesmente com um piscar de olhos, um pestanejar, canalizar todas suas emoções e saltar no meio do desconhecido? A leap of faith! A leap of reason!

Sometimes I feel like I am overwhelmed by my own emotions. They hit me like vehicles driving in a highway. Just that I am the highway and the vehicles. I am the concrete and the buildings all around. I am the little people wondering inside of me. Like bubbles in a bottle of soda, drifting towards the top.

De repente, um milhão de bolhas parecem efervecer dentro de você. Pessoinhas, pequenas versões de você dizendo, fazendo, sentindo, sorrindo, criando todo tipo de coisas. Correndo e derrubando tudo das estantes, como você fazia quando era criança. O pequeno pestinha da família, jogando tudo no chão e fazendo “êeeeee”. Emoções que mais parecem turbilhões, aspirinas no sangue, coca com mentos num estômago.

And life starts to spin and fall, and fall and spin. The contrast of brilliant little spots in the sky. Holes in your rooftop.

Uma clarabóia deixando entrar a luz do luar. Milhões de pequenos espelhos. Fragmentos de um espelho maior, espalhados pelo céu. Todos brilhando e refletindo luzes de todas cores. Todos brilhando e girando como se suspensos por fios de nylon em um daqueles objetos que reverberam ao sentir o toque do vento. Sensações como se você sentisse seus dedos tocando a água em um barco em movimento, ou como se colocasse o rosto para fora da janela de um carro em alta velocidade.  Como se você rodopiasse e se risse sozinho porque deu vontade.  É dançar no escuro, usar meias de lã quando ninguém está vendo, esquecer de escovar os dentes uma vez ou outra. É poder sorrir por saber que no fundo, no fundo, tudo que você realmente precisa está bem dentro de você.

E ao mesmo tempo, assim num piscar de olhos, não está.

Fim de Transmissão.

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